Beija Flor campeã do carnaval carioca 2018

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Apesar da crise financeira que impossibilitou um trabalho maravilhoso para muitas agremiações, carnaval da crise exaltou a simplicidade do Paraíso do Tuiutí e as críticas sociais da Beija Flor

 

            Mesmo com muita crise financeira, falta de verba, descaso por parte da prefeitura, a violência exacerbada e tantos outros problemas, o carnaval 2018 aconteceu e consagrou as escolas de samba Paraíso do Tuiutí e Beija Flor como as grandes campeãs do povo. Sem muita verba por parte do tradicional repasse da prefeitura, muitas escolas tiveram que usar de criatividade para colocar seus carnavais na avenida, com maestria e organização.

            A suspensão dos ensaios técnicos – habituais há muitos carnavais – fez com que o grande público ficasse de fora da prévia do grande espetáculo que é o Carnaval. Com pouco dinheiro, a venda dos ingressos para os dias dos desfiles oficiais foi prejudicada. Muitos camarotes cinco estrelas reduziram o número de convidados, dando mais ênfase a um público pagante desejoso de luxo e conforto.

            Enfim, a festa de Momo aconteceu em meio a tantos problemas sociais, políticos e econômicos que marcaram a cidade do Rio de Janeiro. Mas, o brasileiro e o carioca são festeiros e fizeram de tudo isso um tempero a mais para fazer deste, um dos maiores carnavais da história. O ponto alto, como sempre, foram os desfiles das escolas de samba. O povo consagrou os desfiles do Paraíso do Tuiutí (vice-campeã) e da Beija Flor (campeã), como arrebatadores. Mas, outras agremiações brilharam e tiveram o direito de retornarem ao desfile das campeãs.

            Em sexto lugar ficou o G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel. Uma das campeãs do ano passado, a agremiação verde e branca, da zona oeste do Rio de Janeiro, levou para a avenida, o enredo – “Namastê… A estrela que habita em mim saúda a que existe em você”. De autoria do carnavalesco Alexandre Louzada, contava a essência estrelada que habita em cada um de nós. Apesar de significar cumprimento, a expressão encantou-se com a intenção de reconhecer o ser que existe no outro. Na visão do carnavalesco, a ideia é mostrar um – “Enredo dedicado ao Movimento Autofagia Independente, que despertou ainda mais a essência que habita em mim para a essência da Mocidade.”

            Em quinto lugar ficou o G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira. Uma das mais tradicionais agremiações do carnaval carioca levou para a avenida, o enredo – “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco” – uma crítica bem humorada ao prefeito da cidade que cortou a subvenção às agremiações. Enredo autoral do carnavalesco Leandro Vieira, a Mangueira fez-nos lembrar de um carnaval de outrora onde as pessoas brincavam com fantasias baratas, leves e alegres.

            O G.R.E.S. Portela, que no ano anterior dividiu o campeonato com a Mocidade Independente de Padre Miguel, ficou em quarto lugar, com o enredo – “De Repente de Lá Pra Cá e Dirrepente de Cá Pra Lá”. De autoria da carnavalesca Rosa Magalhães, a Portela contou e cantou a história dos judeus fugidos da perseguição religiosa, entre os séculos XVI e XVII, em Portugal, que vieram para cá e se instalaram na região do nordeste. Ajudaram na fundação e no desenvolvimento de Pernambuco e depois, foram para a América do Norte, e ajudaram a fundar Nova Amsterdã – atual cidade de Nova York.  

            Em terceiro lugar ficou o G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro. Oriundo do bairro da Tijuca, a agremiação vermelha e branca levou para a avenida o enredo – “Senhoras do Ventre do Mundo” – do carnavalesco Alex de Sousa. Com este enredo, o Salgueiro narrou a saga de mulheres guerreias, heroínas e importantes em seu tempo e espaço, famosas, anônimas, mas todas carregadas no gênero e na cor, com suas histórias contadas que vai do alvorecer da espécie humana, até os dias atuais.

            A vice-campeã, do Carnaval 2018, foi o G.R.E.S. Paraíso do Tuiutí. Oriunda da comunidade do morro do Tuiutí, no bairro de São Cristóvão, a agremiação foi do inferno ao céu. Depois de um acidente trágico que matou e feriu pessoas no carnaval do ano anterior, neste ano de 2018, um segundo lugar com gosto de primeiro. Com muita dificuldade financeira o carnavalesco Jack Vasconcelos levou para a avenida uma pergunta – nos dias de hoje, a escravidão é realmente extinta? Com o enredo – “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?”, Jack fez uma análise a partir dos 130 anos da assinatura da Lei Áurea que aboliu a escravidão, no Brasil, se realmente a escravidão está de fato extinta em nossa sociedade. Enredo extremamente crítico, a Paraíso do Tuiutí fez um passeio pela história da humanidade, observando todos os momentos da escravidão, chegando até os nossos dias. Ovacionada por uma plateia que a aplaudia de pé, a escola foi a grande surpresa neste Carnaval.

           

            A Beija Flor de Nilópolis foi a grande vencedora do Carnaval 2018, somando agora 14 títulos. Como um rolo compressor, a agremiação nilopolitana foi a última a se apresentar, já na madrugada de terça feira, fechando o carnaval 2018. Com um belo samba, que antes do carnaval já era apontado como um dos melhores da safra, a harmonia e os componentes da escola brincaram, fazendo com que todos os presentes na Sapucaí cantassem e se emocionassem com um desfile que faziam alusão às nossas mazelas diárias. Com o enredo – “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, a escola de Nilópolis fez um desfile impecável e perfeito.

            Texto: Clinton Paz –Jornalista PeopleConnected
            Fotos: Paulo Roberto Nascimento.

  

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