Carnaval no Brasil: Um pouco da história a maior festa popular realizada a céu aberto do planeta – sua majestade o carnaval

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            A sua manifestação já é de longa data, do início do cristianismo. Segundo estudos, o carnaval é um festival do cristianismo ocidental. Sua manifestação acontecia no passado, como também é no presente, antes da estação litúrgica da Quaresma, ou seja – 47 dias antes da Páscoa. Os principais eventos ocorrem tipicamente durante fevereiro ou início de março, que para os historiadores é um período historicamente conhecido como “Tempo da Septuagésima” (ou pré-quaresma).

            O consumo excessivo de álcool, de carne e outros alimentos proscritos durante a Quaresma é extremamente comum – daí o nome “carnaval – festa da carne” – para que todos pudessem se saciar com os prazeres mundanos, antes do recluso litúrgico cristão, que vem depois. Outras características comuns do carnaval incluem batalhas simuladas, como lutas de alimentos; sátira social e zombaria das autoridades. Estas são outras características dessa manifestação, nos tempos pretéritos e nos atuais. Neste sentido, o que ocorre é uma inversão geral de valores, das regras e normas do dia-a-dia.         

Uma manifestação oriunda do cristianismo

            Sua manifestação está intrinsecamente relacionada às tradições católicas espalhadas no mundo inteiro. Em países de tradições historicamente luteranos, a celebração é conhecida como Fastelavn – nome dado para o carnaval que acontece na DinamarcaSuéciaNoruegaIslândia e Ilhas Faroé, geralmente ocorre no domingo ou na segunda-feira antes da quarta-feira de cinzas. Fastelavn está relacionado com a tradição católica romana do carnaval nos dias antes da Quaresma, culminando na terça-feira de carnaval, no dia anterior à quarta-feira de cinzas, no primeiro dia da Quaresma.

Em áreas com uma alta concentração de anglicanos e metodistas, as celebrações pré-quaresmais, juntamente com observâncias penitenciais, ocorrem na terça-feira de carnaval. Em países eslavos, com uma ortodoxia oriental, o carnaval é chamado de “Maslenitsa”. Nele, as celebrações da carne, ocorrem durante a última semana antes da Grande Quaresma.

Outro dado interessante, que acontecia no passado e que figura até os dias atuais, é que na Europa de língua alemã e nos Países Baixos, a temporada de Carnaval, tradicionalmente, abre no 11/11 – no décimo primeiro dia do décimo primeiro mês, do calendário católico cristão, e sempre às 11:11 da manhã. Segundo historiadores e estudiosos do tema, esta manifestação acontece dessa forma para remontar as celebrações antes da época do Advento – o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal – ou com celebrações de colheita da Festa de São Martinho.

O Carnaval normalmente envolve uma festa pública e/ou desfile combinando alguns elementos circenses, máscaras e uma festa de rua pública. As pessoas usam trajes durante muitas dessas celebrações, permitindo-lhes perder a sua individualidade cotidiana e experimentar um sentido elevado de unidade social. Desde os seus primórdios a ideia do carnaval, enquanto manifestação, é a de uma circularidade de povos, línguas, culturas e classes sociais.  

Nos tempos modernos, o carnaval que vemos hoje, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do final do século XIX e início do século XX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como NiceSanta Cruz de TenerifeNova OrleansToronto e Rio de Janeiro se inspiraram no carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas. Nessa levada, o Rio de Janeiro foi mais eficiente, pois criou e exportou o estilo de fazer carnaval com desfiles de escolas de samba para outras cidades do mundo, como São PauloTóquio e Helsinque.

 

O carnaval no Brasil

No Brasil, o carnaval é uma parte importante da manifestação da cultura brasileira é tido como o “Maior Espetáculo na Terra”. A primeira verdadeira expressão carnavalesca desta festa brasileira, oficialmente reconhecida pelos historiadores brasileiros, ocorreu através dos entrudos desde o século XV em todo o território da colônia portuguesa, na América. No decorrer dos séculos e com as transformações ocorridas no cenário colonial, o carnaval brasileiro foi se modificando, adquirindo novas nuances. Personagens foram sendo introduzidos para abrilhantar ainda mais a festa.

No Rio de Janeiro, lugar de esplendor dessa festa para o mundo, a alegria que toma conta das ruas, é designado pela Guinness World Records como o maior carnaval do mundo, com aproximadamente dois milhões de pessoas por dia. As escolas de samba são grandes entidades sociais com milhares de membros e um tema para sua música e desfile a cada ano. E desfilam no Sambódromo do Rio de Janeiro e na Estrada Intendente Magalhães, no subúrbio carioca do bairro do Campinho.

Os blocos de carnaval são outras manifestações do carnaval, mas que ocorrem do lado de fora do Sambódromo ou da Estrada Intendente Magalhães, acontecem nas ruas. São grupos informais com um tema definido em seu samba, geralmente satirizando a situação política. Muitos chegam a arrastar mais de um milhão de foliões pelas ruas que passam. Atualmente, mais de 440 blocos operam no Rio. Segundo estimativas da prefeitura o carnaval, no Rio de Janeiro, gera para os cofres públicos, nos seus quatro dias de folia, uma receita de mais de três bilhões de reais.

No estado De Pernambuco, ocorre também um carnaval forte e de grande apelo.  Recife e Olinda é aonde se concentram os melhores carnavais do estado. Marcado pelo desfile do maior bloco de carnaval do mundo, o Galo da Madrugada, em Recife, o desfile acontece no primeiro sábado do Carnaval (sábado de Zé Pereira). O Galo passa pelo centro da cidade e tem, como símbolo, um galo gigante posicionado na Ponte Duarte Coelho. Neste bloco, há uma grande variedade de ritmos musicais, mas o mais presente é o Frevo (ritmo característico de Recife e Olinda que foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco). Em 1995, o Guinness Book declarou o Galo da Madrugada como o maior bloco de carnaval do mundo.

Na Bahia, outro polo importante da manifestação do carnaval de rua, a cidade de Salvador tem grandes celebrações carnavalescas, incluindo o axé, um ritmo típico desse local. Um caminhão com alto-falantes gigantes e uma plataforma – chamado de trio elétrico, onde os músicos tocam canções de gêneros locais como axésamba-reggae e arrocha, percorre a cidade com uma multidão seguindo enquanto dançam e cantam. Existem muitos trios elétricos que nesse período carnavalesco congestionam a cidade. Três circuitos compõem o festival – Campo Grande é o mais longo e tradicional. Barra-Ondina é o mais famoso, à beira-mar da Praia da Barra e Praia Ondina e o Pelourinho.

Fotos: Divulgação.

Texto: Clilton Paz – jornalista People Connected.

 

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